Estes foram dias de muita movimentação de noticiários os mais diversos. Resolví participar nos que me fossem possível externar minha opinião. Daí resolvi registrar por aqui.
1-) No blog Gicult, onde sempre opino, falou-se muito sobre a tragédia dos “Nardonis”, da garotinha que, segundo a perícia, depois de esganada pela madrasta foi atirada do sexto andar pelo próprio pai. As opiniões as mais diversas, como morosidade da justiça, as brechas da lei que podem diminuir as penas, o beneficio do cumprimento da penas em regime vigiado/assistido etc. Mas alguns exacerbaram nas formas variadas de punição até com pena de morte.
Então deixei minha opinião registrada. Assim:
Amiga Dalva:
Nossas leis já são criadas realmente com vícios. Tem legislador, que só pensa naquilo, na ocasião de implantá-las, criar válvulas de escape. Você tem toda razão. Só que Lei, é Lei. O que não sou favorável é com a implantação da Pena de Morte, não só por convicção religiosa, mas também o grande risco do mau uso dessa pena. Sinceramente não tenho percebido que o extremo dessa punição tenha contribuído por amenizar os crimes. Não sei, mas nenhum povo tem exercitado os mais estúpidos crimes do que os praticados nos Estados Unidos, que em alguns estados é adotada a Pena de Morte.
A vida é um precioso dom de Deus, tem seu sopro, e você sabe. Depois um Estado com o SUS que gasta pra curar e salvar vidas, é contrastante que mate. Aí nos lembramos daquela história do tempo de nossos avós, de João e Maria e o dedo debaixo da porta.
2)
Então um internauta, à sua maneira, contestou afirmando ser favorável à pena de morte e, se encantava com o Antigo Testamento, e achava divino aquela barbaridade de ódio e raiva, e se deliciava, pelo que suponho, que fosse legalizado aquele tipo de punição. Veja a alegria do internauta Luiz Tavares:
-”Wilson, por convicção religiosa sou a favor da pena de morte. Da Bíblia, o que eu gosto mais de ler é o Velho Testamento. É uma matança só. Já imaginou a queixada de um burro nas mãos de Sansão? Eu imagino isso todo dia. Nitidamente vejo um campo de batalha com os filisteus ensanguentados. Já leu a história dos Macabeus sob a liderança de Matatias? É simplesmente divino. Seus inimigos trespassados pelas lanças. Isso é divino demais”.
Como ele citou meu nome, resolvi responder:
Prezado e destemido Luiz:
Apenas porque você se permitiu, e foi prazeroso pra mim a leitura do meu texto.
Por convicção e consciência, nunca discuto preferências. E não seria quem, como eu, afirmando “convicção religiosa” assim não procedesse. Sou cultor de uma afirmativa do grande doutor da Igreja Católica, Santo Agostinho: “O Novo testamento se esconde no Antigo, e o Antigo se esclarece no NOVO”.
Por isso, lá em Eclesiástico (O Siracides) capitulo 15, muito rico, donde retiro um versículo especial para o momento: 15,14 “No principio Ele (DEUS) fez o homem e o deixou entregue a seu próprio arbítrio.”
E o homem é: Inteligência (dotado de razão); Vontade (decide entre o bem e o mal); Liberdade (livre de agir). E por isso mesmo, pode se dar ao “divino prazer”, se assim for, de escolher o deus que lhe for proveitoso. Desculpe-me e perdoe se não captei o seu espírito jocoso. É que Deus, é Deus…
3-)
Um outro internauta, Adanilton, se interrogava para encontrar um significado no vernáculo que pudesse traduzir bem uma tragédia como aquela. E não encontrava. É dificil, sim , mas no fundo o problema tá no homem. Porque?
Ódio? Raiva? Certo? Errado? Estupidez?
Tenho pra mim que a grande dificuldade não está em se conseguir explicar o significado da palavra, a etimologia nos faz alcançar a profundeza da sua raiz. O que é infinito e se esconde num poço, sem fundo, e não há exagero se disser inalcançável é o sentir da natureza humana. Aquele guardado a sete chaves, “incopiável e inxerocável”. Às vezes surpreende essa criatura tão amada de Deus que num repente, sufoca o pensar e a razão. É como se um vulcão adormecido quisesse ver-se livre das lavas acumuladas. E quando isso acontece, é tragédia na certa.
E essa não deixa de ser uma tragédia difícil de descobrir “… o que leva em consideração a questão de ação e reação do homem?”
Estamos vivendo momentos desafiadores num mundo de tanta e fácil comunicação. Que tanto se fala de Deus. E nunca tem sido tão desproporcional a facilidade de se banalizar a vida. Assusta que se conheça “de um Pai um sentimento mórbido que chegue a torturar uma filha.” Mas a tragédia não se contenta. É também filho matando Pai. Neto matando avós, sogra matando nora. São casos tão recentes. É curto espaço e pouco papel se dela, tragédia, tivermos que relatar. E o pior, que já esteve mais longe, hoje ta tão próxima.
“Se eles (os Nardonis) são realmente culpados devem pagar caro, caso contrário quem seria o culpado?”. Isso lí de um amigo Adanilton a respeito do caso. E eu concordo, pagar caro, aqui mesmo, sem lhes tirar a vida. O Estado pune, não lhe é dado o direito de tirar a vida. Aliás, a ninguém.
Agora, reação do pensar e do agir da “turba” embevecida e animada por um espetáculo, não é novidade. Tem gente que adora tragédia, dos outros, que até disputa vaga numa fila desde que , o morto, tenha sido “agraciado” com a deformação da violência. Quanto maior, vale pagar vaga na fila. Do interior desses, são lavas liberadas.
Mudemos agora de assunto. Deparei-me com uma entrevista do Ciro Gomes, que pretende ser candidato a presidente . Cada dia nas suas incursões na mídia, se tem a impressão que ele quer passar a imagem de um “ ILUMINADO, PREDESTINADO, INSUSPEITO e IMACULADO” candidato a presidente ELE PRÓPRIO, e a ultima chance do brasileiro, porque depois disso, é O FIM.
Confesso que sou um tanto assustado com o Ciro. Pela sua postura ou impostura de muita braveza e destemor, me faz recordar de um alagoano, também bom de papo valente, caçador de marajás, pra no fim dar no que deu. O Collor. Se fechar os olhos e aguçar os ouvidos e pedir que outro leia (o timbre da voz de cada um é inconfundível) alguns pronunciamentos de alguns capítulos do “papo” do Cearense, é o mesmo som do mesmo martelo alagoano. Inteligente como ele só, não é nem a favor nem contra Lula, mas, muito pelo contrário.
O Ciro dá-me a impressão que faz um desesperado esforço, prá ele mesmo se convencer da capacidade de promover, como super-homem invencível, as mudanças de postura dos nossos “cândidos e mutáveis” parlamentares, tão ávidos por se converterem a uma vida nova, sem pecados. E para tanto, o Ciro anuncia com toda embófia seu sonhado e almejado desejo que :
“seria uma tarefa gratificante, quebrar a hegemonia paulista do PSDB e sem derrotar ninguém, só articulando.”
E aí, o grande final. Anuncia o grupo com poder total, sem nenhuma necessidade de entabular negociação política partidária, nem realizar acordos com o parlamento brasileiro. TOUCHET…
“EU, AECIO, TASSO (tenho jatinho porque posso), e ALCKMIN (chuchu).”
Só gente nova, sem vícios, como políticos. Não é de se assustar, o Ciro?