Publicado por: wilsonsenhorinho | 26 01 10

A história Ontem. E Hoje. Mas tem Amanhã.

                        A gente na medida em que o tempo passa, isto é, chegamos ao que denominam “terceira idade” e agora mais recentemente “melhor idade” (confesso que não decidi em qual me incluir), o certo é que to ficando veio, mas UTIL, a memória, mesmo que se canse, ainda continua sem “colar as placas”. Vez em quando opera o que costumo chamar de “soluços da memória”! Pois bem, agora mesmo, de uma estante pequena, companheira de alguns anos e reformada através de um “BO” que costumo praticar (não só por economia, mas também por amizade reconhecida ao que me é útil), retirei ao acaso o volume 28 (Trinta anos de discursos acadêmicos), das obras do apaixonante cronista brasileiro Humberto de Campos. São páginas memoráveis proferidas pelos seus membros na Academia Brasileira de Letras desde sua fundação 1897 até 1927. Estou rememorando, pois em nov. de 2005 já o lera. E também ao acaso, abri na pagina 75, num discurso proferido por Souza Bandeira, jurisconsulto e publicista. Dos tópicos distribuídos por vários assuntos ali tratados, um em especial me chamara a atenção, que até grifei e anotei na margem “100 anos passados”). Hoje 105, pois a peça oratória data de AGO. de 1905.

E nós com isso? (se é que alguém esteja gastando seu tempo em ler este “escrito”) deve estar se perguntando.

Embora o tempo, nada mais atual na minha “memória” dessa “história”. Principalmente para uma reflexão nesse tempo de eleição e tragédias.

Vai falar, no silencio do escrito, SOUZA BANDEIRA:

 

                                  

                                    “A MISSÃO DOS NOVOS

 

Compete às novas camadas a difícil missão de regenerar a humanidade sofredora. As nossas mesquinhas dissenções hão de desaparecer, as doutrinas que hoje damos como verdades assentadas hão de figurar como simples recordações históricas. A posteridade, porem, aproveitando dos nossos erros, corrigindo os excessos das nossas impaciências, dissipando os nossos temores, alcançará a época em que crenças mais consoladoras surgirão sobre os destroços das nossas dolorosas negações.

E porque muitos anos passarão ainda sobre a horrível anarquia em que nos debatemos não nos será dado a nós contemplar de perto o advento da nova era. Preparemos, porém, a geração que ora surge para a decisiva função social que lhe está destinada. Perpetuemos nos filhos o sentimento da solidariedade humana, ensinando-lhes a zelar, como precioso patrimônio, as tradições dos antepassados. Inoculemos-lhes o austero sentimento da justiça, a nítida idéia da pátria, os nobres estímulos do caráter.

Cumprido este dever supremo, poderemos desde já nos consolar, antevendo, nas frontes juvenis dos nossos descendentes, o longínquo despontar da aurora que surgirá no futuro”.

 

Alguma pergunta? Eu tenho.

Vivesse ainda hoje (a vida eterna só depois que se morre), qual seria seu novo discurso: exultante por estar contemplando a nova era? ; triste porque não soube a posteridade corrigir os excessos da impaciência, dos temores?; os filhos se perpetuam no “bom” das tradições dos antepassados, na justiça, solidariedade, zelo da pátria e do caráter? Claro que não se pode generalizar o não aproveitamento dessa herança benigna. Mas…

Sinceramente, sabe o que acho? Eu…

 

“Ó véi, eu disse que muitos anos passarão ainda, e não falei qual a geração dos nossos dependentes e ainda finalizei com o longínquo despertar de uma nova aurora, no futuro. E o futuro, você deve saber que a Deus pertence. Ou não sabe? Palavra de Souza Bandeira Viu?”

 

È seu Bandeira, eu sei, e por isso não tenho o direito, como cristão de não ter Esperança no cumprimento da sua profecia.


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