Publicado por: wilsonsenhorinho | 02 05 09

Jequié, 25 de outubro de 2008

 

 

 Prezado Luiz

 

Logo depois de confirmada a sua eleição, moveu-me o propósito de alinhavar alguns pensamentos, em decorrência da expectativa que tenho, na sua ação como futuro prefeito. Não por causa da força política, pois não a tenho, mas amparado no poder de um eleitor que, por quatro vezes, com seu voto, acreditou em você. Ontem, como hoje sempre fui dependente da exigência de minha consciência, para cumprir meu voto. Lá, nos idos de 1988, por causa dela (consciência), me entusiasmei com um novo amanhã de mudanças, e, vencedor, nunca me arrependi. Foi uma luta, me lembro, pobre de recursos “externos”, e que você conseguiu equilibrar. Bastou ser humilde e honesto. Mas a ação não se reduziu a isso, só. Sua ousadia foi além. Acolheu no seu governo, um homem simples, honesto, trabalhador, inteligente, servidor humilde dos menos favorecidos, para a secretaria de Educação: Pe. Jesus. Que susto. Aí, eu acreditei, é mudança.

Bem que a gente podia relembrar mais. Do passado, fico por aqui.

 

Agora, o presente. De minha parte, nada alterou. Sempre o sonho de um novo amanhã de mudanças. E pelo que vejo, hoje, mais que ontem. Nunca me acostumei e menos aceitei, se condicionar voto ao usufruto de benesses que o eleito pudesse oferecer. Voto é consciência, nunca acordo de emprego. O voto consciente tem o brilho da liberdade. É como no dizer de Miguel de Cervantes, “pela liberdade, tanto quanto pela honra pode e deve aventurar-se a nossa vida”. Posso imaginar, sem mensurar, o quanto você, que já tem essa experiência, está perplexo (porque hoje, é mais que ontem) do assedio dos eternos aproveitadores e caçadores de vantagens. Mal terminada a eleição e eu próprio tenho percebido o cerco de tantos que se acostumaram a esse tipo de “colagem”. São muitos, e bem conhecidos. São, a bem da verdade, viciados, em cargo publico. Não esperam convite, se convidam. Poucos somam ou agregam, e pior nem produzem. Alguns são “lambe botas mesmo”, não se dão a fazer outra coisa e “só pensam naquilo”, tirar proveito.

Se você na campanha venceu os desafios das calunias, das tramas, dos enganos, os de agora em diante, não serão mais fáceis. Menos pela execução do seu projeto de governo e, muito mais pelos que se arvoram donos da sua eleição, e se acham no direito de sobrepor suas vontades àquele único ungido pelo voto do povo. Não é incomum nem impróprio que os partidos de uma coligação participem da composição do governo que “ajudaram” a eleger. Apontar nomes, certo. Nomeá-los, e confirmar a escolha, não. Aí, Luiz, mora o perigo. Você sabe, mais que eu. Somos filhos da “gema” desta cidade, e nela criamos nossas raízes, por isso não temos o direito de abafar o seu humor(graça natural), fazendo escolhas ruins para governá-la. Perdoe-me se fui insólito.Nos meus 73 anos, não posso carregar qualquer constrangimento de não dizer o que penso (enquanto não “caduco”). Não acolha esta carta como conselheira, mas uma reavivadora de que, um dia, você escolheu e nomeou, sem medo, Padre Jesus seu secretário.

 

Propositadamente deixei para o final o meu abraço de parabéns por sua investidura como prefeito de Jequié, e que não se limita à alegria da vitória, mas também a certeza na transformação do método de administrar, que novamente confirmará, a mudança, chegou.

 

                                         Muito êxito, um forte abraço.

 

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