Acredito que foi por conseqüência da festa de aniversário, mas o certo é que sonhei entrevistando a linda senhora JEQUIÉ, nos seus 112 aninhos.
EU – Olá, que feliz encontro. Pelo tempo percebo que continuas bela. Nunca perdes esse invejado tisnado. Também pudera, com o “teu” sol que se haveria de querer?
ELA- Também não mudastes muito.
EU- Que é isso?
ELA- O tempo passa amigo, a vida então pra ti um dia acaba. Pra mim não acaba nunca. A cada quatro anos, é sempre a mesma conversa, sabe. E o interessante é que o discurso invariavelmente, é o mesmo, depende dos postulantes. Quem xingou ontem é o xingado de hoje e vice-versa. É uma verdadeira vira folhagem. Trabalho de “ancinho” mistura como se fosse limpar, quatro anos depois, ou antes, mesmo, junta tudo de novo. E eu na onda, e o povo atrás. E as desculpas pela mudança? Dignas de um tratado Bufão. E eu pombas, é que estou decadente.
EU- e isso te aborrece e…
ELA – não, não é que aborreça, tenho que entender que a engenharia política (artimanha) do homem, modula de acordo com seus segredos, suas querências, suas preferências, seus nomes nas “folhas”, mas sabes, é sempre assim em todo lugar…
EU- … como assim?
ELA- … e não é mesmo? É “um por um” e “um por um”. Depende do guru político de cada um. Tem gente que fica no pega x larga. Um dia é do pega outro dia é do larga. Depende do flutuar do poder e se seu guru é do poder. Tem gente que pensa que ser independente, é xingar, é agredir, é denegrir o adversário. Até gente nova, que não viveu o passado, não conhece a história age assim. Olha amigo, é mais discurso do que razão.
EU – Não seria então porque te amam que tanto se agridem?
ELA-… é mais ou menos isso, mas não é tudo, é que tem muito pau mandado na história, e para despistar, escrevem tanta besteira e errado que dá dó. E utilizam a internete economizando telefone, e, no “anonimato” se realizam na distribuição de improdutivos insultos.
EU – Quanto à decadência, não será só porque se cobra o “já teve” e…
ELA – … é pode ser. Você bem pode falar, afinal tens 2/3 dos meus 112 anos. Reclamam de cinema, lá Cine Jequié, o Bonfim, o Auditorium, que alegam incúria dos homens e culpam-me hoje de nenhum existir, como cidade tão importante. Ora, e Salvador, que foi capital do Brasil, onde o Tupy, o Guarany, o Jandaia, o Excelsior, o Liceu, que houve?
EU- mas tem nos shoppings. Tinham os custos de grandes casas. Dava prejuízo.
ELA – É, e porque não continuaram, mesmo com prejuízo, como estão fazendo os empresários de Jequié, que estão investindo nas suas lojas. Além daquelas empresas de nível nacional que pra cá vieram como A Insinuante, Lojas Maia (duas), um conjunto de cinco grandes Magazines na área do antigo edifício Grilo (que saudade) junto ao belo e sofisticado Empório Pereira; supermercados nos bairros, um novo, o Jambo a inaugurar no Jequiezinho; a Ricardo elétrico, Ponto Frio, Guaibim, Eletroson, Fenícia e tantos outros e todos se lixando para o lucro. Devem ter um coração grande e uma visão capitalista generosa. Já que os governantes nunca nada fizeram e nem fazem, e, dizem, só tiraram proveito. E os hotéis? Lá O joly, o Comercial (Quinata), Sulamericano, Pensão D.Zizi, e agora o Itajubá, Rio Branco, S. Remo, D. Biza, Bizon e outros mais. No futebol foi por solidariedade com Itabuna, Ilhéus, e Salvador do Leonico, Botafogo, Ipiranga, Guarani e outros, aí, também dei baixa na ADJ. Até comentam que estou “diminuindo” sabe? Insondável mistério.
EU – Mas teus filhos verdadeiros te amam minha Senhora, acreditam em ti e vão continuar sem o apelo ao raciocínio discursivo que só alimenta preconceitos. Mas, e teu cotidiano na convivência com aqueles escolhidos pelo povo para dirigir teu destino?
ELA – Ah! Essa gente. Esse povo. Vais divulgar essa entrevista?
EU – Pretendo!
ELA – É pra contar tudo mesmo? Guardas segredo?
EU – Sem dúvida.
ELA – Então lá vai, e vou dar os nomessssssssssssssssssssssssssssss…
Assustado, percebi, foi um SONHO. Minha sorte. Escapei de um pesadelo.
Sonho mesmo de: Wilson Senhorinho