POLITICA É O DIABO
Esse titulo me traz à lembrança o poeta, cronista e político baiano, jornalista Wilson Lins. Realmente, nada mais pode se dar ao luxo de tramar e engendrar artimanhas, criando os maiores enredos pra confundir o raciocínio de uma pessoa, do que o rabudo enxerido do Diabo. Torce, retorce pinta e maquia com tanta arte e sutileza. É o mais astuto maquiador de fatos, perfil e imagens de gente. E tanto mais esmero com a política, que é feita de gente. É realmente o tinhoso, um apreciador arquiteto da infame tarefa de confundir. E o safado, expulso do paraíso, despencando lá de cima teve amortecida a queda (ainda tinha asas, pois era anjo) e foi acolhido numa comunidade de nome: “OS ELEITOS”. Logo coroado rei.
Essa digressão assim um tanto “enxofrada”, vem a propósito dos últimos acontecimentos de uma semana atropelada exatamente na área da política e na comunidade dos eleitos. Teve de tudo. Confusão, sutileza, artimanhas, enfim, tudo como o Diabo gosta. A história começa com a indicação a Procurador Geral do município do sério e competente advogado Mario Alves Filho. Vereadores em sessão da Câmara, não aceitaram a escolha. Dos onze presentes, cinco votaram contra. Marinho foi rejeitado. Alegações. Os ínclitos representantes do povo, zelosos dos seus mandatos, como autênticos e intransigentes puritanos defensores e cumpridores da Lei, – e não podia ser diferente -, não “assimilaram” que a nomeação e posse no cargo, antecedesse à votação e aprovação pela egrégia Câmara, do nome do escolhido. Nesse “pecado” corrente, se resume o veto. Certo? Errado.
Registros da história: a) nunca ninguém indicado, fora rejeitado; b) todos foram indicados e empossados, bem antes de aprovados; c) que se invoque o testemunho de um, à época vereador beneficiado (a lei se “arrepiou”?) e que hoje, reeleito, não “assimilou” o desrespeito à lei, e dela, cumpridor zeloso, votou contrário à indicação. Confunde ou não confunde?
Seguem-se os “adendos” ao ocorrido, com a repercussão à fala do deputado Leur Jr. Ele não aceita a posição tomada pelo vereador do PT, Vanderlei e defende o desligamento dos nomeados para vagas na prefeitura, por indicações do vereador. O palpite gerou um assanhamento e espirrou palpite pra todo lado. Com base ou sem base, dos que não se conformam porque não ficaram de outros que não entraram, dos inconformados porque perderam, dos que têm má vontade mesmo, etc.etc. E agora discutem (ação importante e valiosa) se os demitidos o serão por decisão de Luiz ou por exigência do Leur.
A engrenagem do sistema político no Brasil só funciona se o executivo contar com o legislativo. Um não vive sem o outro. E o eleitor (povo) que morra por inconseqüência dos dois. Então. Só com a maioria no legislativo um governo, governa. E maioria só se consegue formando-se uma base de aliados. E a base é formada pelos partidos. Surge o compromisso com um programa de governo. Ou é do governo, ou não é. Sendo do governo, vota nos atos do governo. Essa é a realidade em todos os níveis , federal, estadual e municipal. Então não há nenhuma novidade em que o setor publico tenha em sua maior parte, indicação dos partidos que governam. Precisa ir longe não, ali, na prefeitura de Salvador, o PT foi “defenestrado” pelo prefeito por ter rompido com sua administração. Não se venha com afirmações que soam ridículas se disserem que não é assim. Não fosse o Luiz, mas outro o prefeito, seria a mesma coisa se não tivesse maioria na casa, principalmente, do voto que lhe seria fiel. Toda eleição, dia seguinte à posse, o critério é o mesmo. 55 anos de eleitor me autorizam a firmar isso. Só não acontece em paises de um partido só, único. Lá, na existência de outra agremiação política, nem sonhar pra indicar alguém, senão “créu”. Não há o mínimo perigo de não haver unanimidade nas votações.
Ali é que se dá o verdadeiro regime “familiar”. Aliás, nem toda família é tão fechada assim.
Todos os partidos, sem exceção, tem o mesmo propósito. Governar com os seus e indicar os seus. Os que comungam sua linha de pensamento e ação. Nem pode ser diferente. Do contrario pode acontecer dar-se asas a um “espião” deletério. Aí corre o perigo. O sigilo, já era. E esse tipo é pior do que aquele “que leva e traz”, porque só leva.
Como pode uma dona de casa, empregar no seu lar, a rapariga do esposo? Ou o marido empregar como mordomo o “trenee massagista” da esposa ? Eles vão governar o que? Só se for pra cultivar “chifres”.
O grande problema e dilema do país, é que todos os Partidos são “partidos”. Cada “pedaço” quer o seu quinhão. Ás vezes até absurdamente desproporcional ao seu “quinhão” de voto, esse, é que vale (faltou pro Marinho). Pode até não ser o partido, mas o dono do voto ou quem nem tem voto. O chato é que tem dois discursos para o eleitor. Um colorido, fazendo crer para o publico externo que não quer nada, e o outro (discurso), no cochicho escuro da comunidade dos “eleitos” babando pra chegar à hora de indicar.
Não sou nenhum expert ou cientista político, nem conselheiro, só curioso. Mas acho que o Luiz pode compor sua maioria no legislativo municipal. O PT é um partido com dois votos, deve interessar sim ao governo municipal, e juntar-se ao grupo já existente que apóia sua administração. É um partido que está no topo de dois governos, federal e estadual, e tem composto alianças para conseguir governar. E o resto, é, coerência e fidelidade. Sabe o que fico pensando, e aí entra o dedo, ou chifre, ou rabo do Demo, mas com certeza a “astúcia” do dito, torcendo pra que isso não ocorra. É um grande esforço para tentar reverter à máxima do Wilson Lins de que POLITICA É O DIABO e, vencer o DIABO NA POLITICA.
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OS: Só pra ficar claro. Se o indicado por incompetente não serve para a função, caneta nele. Que o partido tenha mais critério nas indicações.